Análise da Comunicação não verbal de Bento XVI e Francisco

2ª Edição Revista e Atualizada.

No mundo não verbal e para estudiosos em Linguagem Corporal e comportamental, todo ser humano possui características de personalidade e o que seus atos e gestos querem transmitir. 

Como todo ser humano comunica, todo objeto que interage com o ser humano ajuda também a transmitir uma comunicação. Alguns meses atrás, havia analisado a linguagem corporal também destes dois papas em suas eleições, agora analiso novamente com circunstâncias diferentes a mesma fisionomia de comportamento não verbal. 


Como todo objeto em uma fonte de comunicação comunica, analiso a maneira como o papa usa em sua linguagem não verbal.

Cadeira: Quanto mais queremos mostrar imponência, poder, e dominação mais o espaldar (costas) da cadeira é alto, percebemos muito isso em escritórios, quando a cadeira do chefe é diferenciada do subordinado, as vezes nem são giratórias. Bento XVI mostrando imponência, sempre usou cadeiras com espaldar alto. O modelo também interfere bastante em sua transmissão, que as vezes é feita de forma até consciente. Repare sua cadeira, tem adornos detalhados e aparência brilhante.

Vestuário: Todo vestuário também se transforma em uma fonte de comunicação. Notamos isso no "malandro" quando quer transmitir a ideia de uma pessoa "largada" ao mundo com camisas que cabem em uma pessoa de 120 kilos. O vestuário que o papa usa assim bem como em várias celebrações transparecem sua dominação e sua vontade de imponência. Igual aos objetos, a intensidade e os modelos dão ênfase em sua comunicação. Seu vestuário é bem chamativo, vermelho (cor de poder) e com adornos detalhados.

Corpo: Seu corpo transparece claramente tensão de dominação e protuberância.Tem os cotovelos nos apoios da cadeira, transparecendo sua dominação e poder. Em todas as cerimônias o papa transparecia dessa forma. Sua vontade de dominar fica evidente, seu corpo é bem rígido no centro das atenções.


Para não haver dúvidas por motivos circunstanciais analiso esta fotografia do mesmo papa, para que vejam que na outra foto a postura não é devidamente causada por alguma "circunstância"; mesmo se fosse, sua vontade de impor autoridade, como autoridade, é bem transparente.

Em outras palavras, deixo como modelo para que os leitores analisem, pois tudo que está nesta fotografia é o mesmo padrão que a anterior, e não necessitaria repetir tudo o que já disse. Exceto pelo trono e as roupas que de vez em sempre se tornavam mais aperfeiçoadas com adornos cada vez mais chamativos.


Agora analiso o atual papa, Francisco.

Cadeira: Sua cadeira é simplificada sem adornos e detalhamentos chamativos; o espaldar não chega nem a dois metros. Estranho para um papa, pois uma autoridade deveria se impor, e de autoridade, não é o que vemos em sua mensagem não verbal.

Vestuário: Seu vestuário também simplificado, sem detalhamentos, adornos ou outro tipo de chamados denotando dominação, autoridade ou poder. Em Francisco não há nem vestuários com cores vermelhas. Sua maneira de parecer simples é bem evidente.

Corpo: O que mais me intrigou acerca do outro papa. Francisco é famoso no mundo católico por transmitir simplicidade, e nesta foto é exatamente o que se vê.

Seus braços não estão no apoio da cadeira, não há aqui uma tensão corporal tentando mostrar poder, dominação ou autoridade como nas fotos do outro papa. Sua maneira até simbólica (por ser um papa) de agir é bem extrovertida e simplificada. Raramente se vê este papa com os braços no apoio, e quando se vê, não é de maneira a demonstrar poder.

Outra coisa que me chamou atenção em seu padrão comportamental foi que ele se inclina para frente, isso reforça a simplicidade. Inclinar para frente neste caso indica humildade simplicidade, submissão. É uma maneira de "estar mais próximo do povo". Quem quer mostrar poder e se impor, encosta as costas no espaldar da cadeira.


Em geral vê-se claramente o que sua postura transmite, desde vestuários até a interação com os objetos. Esta outra foto, mostro também para verificar que não é em uma só circunstância que isso ocorre. Tudo aquilo que fazemos transmite em nossa comunicação e denota características de nossa personalidade, comportamento, atitudes e etc. Esses gestos são simbólicos, pois um papa sempre se impõe e mostra dominação em sua linguagem não verbal inconscientemente (as vezes), e o que vemos neste é totalmente o oposto, tornando ele a diferença, e um perfeito instrumento para estudos. 

Bruno Santos da Silva 
Especialista em Linguagem Corporal e Micro Expressões

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