Análise do Caso Bruno, Eliza - Dar de Ombros, Clássica Incerteza

2ª Edição Revista e Atualizada.

O caso do Goleiro Bruno, chocou a maioria do Brasil. Nesta análise que fiz do vídeo que foi gravado dentro da prisão onde Macarrão reside, os leitores irão ver uma das clássicas incertezas que contradiz as palavras ditas pela pessoa; o Dar de Ombros. O dar de ombros é a contração do ombro seja o direito ou o esquerdo ou os dois ao mesmo tempo; indica INCERTEZA, DÚVIDA, RECEIO naquilo que está sendo dito ou a pessoa pode não saber do que está falando. Repare que ao sermos questionados de algo que não sabemos, contraímos os ombros ao mesmo tempo que dizemos "eu não sei". Deixa para lá... Vamos a análise:


00:01seg- Ele aparece saindo do que seria o tribunal ou a delegacia com a tensão muscular da face em estado de preocupação profunda, e nos olhos observamos um pouco de medo.

00:18 seg- Quando ele afirma que nunca teve contato com a Eliza Samudio ele contrai o ombro esquerdo. Indica que não está confiante como disse, o corpo contradiz as palavras, ele mente.

00:20 seg- Tamborila as pernas repetidamente, sinal de nervosismo e agitação interior.

00:23 seg- Nestas frases que fala, repare que ele gesticula, mas bem pouco, provavelmente há coisas que não está contando, partes da história está escondida. Percebemos que a pessoa não conta tudo, quando existe vácuos pelo caminho.

01:02 seg- Ele é questionado sobre o soco de dentro do carro. Repare que ele fala não deixando o repórter interromper, e sua mexida na cabeça é bem mecânica e rígida, combinando com a tensão muscular da face, certamente ele ensaiou a resposta sobre essa pergunta. Muitos mentirosos se atém em um discurso padrão. Para ter certeza que não irá cair no descrédito.

01:14 seg- Quando afirma que "a gente nunca andou armado" ele contrai desta vez os dois ombros. Se contradiz novamente sobre sua declaração. Para ele é mais vantajoso dizer que nunca andou armado. Uma pessoa culpada nunca irá dizer algo que possa incrimina-lá.

02:07 seg- Ao dizer "no mesmo quarto, tranquilo" a expressão facial parte para o nojo, ao mesmo tempo que afirma que foi tranquilo, ele nega com a cabeça, contradição novamente, ele mente. Várias incongruências, somente em uma frase.

02:30 seg- Ao dizer que "não estava saindo sangue" ele contrai os ombros, novamente contradições, incerteza.

03:10 seg- Sua expressão facial parte para o desgosto (nariz enrugado) e raiva (tensão arqueada) ao mesmo tempo ao dizer sobre o dinheiro da  mãe de Bruno.

03:23 seg- Ao dizer que "nunca falou" sua inflexão vocal se torna oscilante e trêmula (Incerteza, Nervosismo) e a latência que é o espaço de tempo entre a pergunta e a resposta demora mais que o normal. Estava pensando no que ia dizer para não cair em alguma contradição.

03:57 seg- Ele começa a girar a cadeira de um lado para o outro, tensão e nervosismo agudo, em alguns casos, a pessoa tende a ter o nervosismo crônico.

05:09 seg- Ele entrelaça os dedos com as mãos, indica frustração agitação interior. Depende da maneira com que ela é colocada. Neste caso, são como uma forma defensiva.

05:06 seg- Ao dizer que nunca pediu para esconder a criança, ele massageia as mãos, um movimento de auto estimulação, tentado fazer com que acredite no que está dizendo, é um manipulador clássico que indica que não está confiante como disse.

05:19 seg- Girada de cabeça e diferença no tom e inflexão de voz, incerteza no que está dizendo. Ela ainda usa a palavra "acho" diminuindo sua credibilidade além de não verbal, verbal.

05:56 seg- Ao dizer que ama Bruno, Macarrão tem sua expressão facial com uma tensão de preocupação e apreensão. Mas ao dizer que também ama Bruno, ele ao mesmo tempo afirma positivamente com a cabeça. Indica verdade, mas ele tem preocupações sobre isso, e principalmente, o que pode acontecer a ele.

Nesta análise fica claro a preocupação de Macarrão e as mentiras para possivelmente se livrar da culpa. Fora ele, Bruno também mostrou vários sinais de mentira. Na maioria das entrevistas, quando menciona Eliza, mostra desprezo, desgosto e etc. 

Não só macarrão cai em contradição não verbal e verbal. A contradição verbal, é aquela que é expressa em palavras. Em uma das entrevistas quando ele ia mencionar sobre Eliza, ele diz a seguinte frase. 

"Estou muito triste por ela ter sido... desaparecido..."

É uma incongruência verbal. Se repararem o tom de voz, daria claramente para entender que ele iria completar a frase com outra palavra. Possivelmente Morta. 

Em milissegundos, o cérebro verificou a exatidão do que ia dizer, e rapidamente mudou de estratégia para não cair em confissão de ato falho.

 Outras clássicas de dar de ombros: Outras análises do dar de ombros (Análise da Atriz Carolina Dickman na Propaganda Outono 2013 da Hering).

 



Bruno Santos da Silva
Especialista em Linguagem Corporal e Micro Expressões

2 comentários:

  1. Muito legal isso.

    Mas nos 05:56 seg a expressão foi mais de "tristeza" do que apreensão. (União das sobrancelhas)

    Faltou também alguns pontos como raiva (00:43), discordância (02:08 - Movimento de "Não" com a cabeça), lembrança visual (02:30), lembrança auditiva (03:23 - Olhando em direção a orelha) e vergonha (02:06 - Olhando para o chão)

    Me corrija se eu estiver errado.

    E-mail: valdeirpsr@hotmail.com.br

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